PORQUE QUEREMOS CANONIZAR FREI JOÃO PEDRO

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PORQUE QUEREMOS CANONIZAR FREI JOÃO PEDRO

Antes de mais nada, precisamos tomar conhecimento da Verdade teológica-eclesiologica em relação à causa de Beatificação e Canonização do Servo de Deus, para que, consequentemente, tomemos consciência, isto é, assumamos responsabilmente os Compromissos concretos que a mesma causa exige. Só com tais disposições de conhecimento-consiência agiremos eficazmente em todo sentido, tirando destas nossas posturas, desmisurado proveito sobrenatural, tratando-se de uma humana-divina aventura com carater de uma pessoal missão. Como tudo o que se refere a Deus em dimensão eclesial, também, qualquer causa de Beatificação e Canonização apresenta-se com os coloridos elementos de Cristo o Filho-do-Homem: paixão e ressurreição. Paixão de ardor divino que conduz à superação de nós próprios com o sacrificio mas com o sabor antecipado de vivermos como Cristo e Nele com os Irmãs já gloriosos!

 

Prosseguindo a causa do Servo de Deus, podemos nos defrontar com algumas objecções:

  • qual a finalidade desta iniciativa?,
  • já há santos demais na Igreja,
  • porque empregar nisso tantas energias e dinheiro?,
  • o SdD não precisa ser venerado como santo,
  • o importante é que ele viva no céu,
  • a sua canonização não lhe acresce em nada à glória que possue no céu…

 

Apesar destas e outras objecções, a Igreja continua favorescendo-apoiando o desejo e a iniciativa dos fiéis e eleva às honras dos Altares os seus filhos/as que primaram pelo heroismo de suas virtudes, mormente pela CARIDADE. Tais são aqueles que, voluntariamente, sofreram o Martirio. Quais são, pois, as razões que impelem a Igreja a continuar promovendo estas causas que, nestes últimos tempos, foram numerosas? Quais os objetivos desta prática eclesial?

 

Vejamos as fundamentais razões desta ação da Igreja. Todos nós, discípulos de Cristo -mormente nós os consagrados- somos chamados por direito-dever à SANTIDADE: “Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). A nossa santidade apresenta-se como direito-dever porque participamos, pelo Batismo, da natureza divina. DEUS É O TODO SANTO POR SI MESMO E NÓS, SEUS FILHOS, CHAMADOS A SERMOS SANTIFICADOS POR ELE! A santidade, em relação ao nosso – se r- ontológico  existencial, coloca-nos a todos no mesmo e igual estado de vida, mas em relação ao nosso – grau – de – santidade existe diferença. Mesmo vivendo o Amor de/a Deus e Irmãos, temos meios para galgar a santidade desde o mínimo até o máximo degrau, podendo permanecer no medíocre. Os Santos representam os Gigantes de Deus e da Igreja. Outros representam os pequenos santos ou, até, os anões da santidade.

A Igreja, desde os seus primórdios – sabedora da poderosa intercessão de seus filhos que se tornaram íntimos de Jesus Cristo e gozadores da Glória e da Visão de Deus Trino no céu- os propõe aos fiéis como exemplo a serem imitados e como intercessores a serem invocados. Isso aconteceu, primeiramente, com os Mártires, em seguida, com os Confessores. A tal fim, em épocas sucessivas, surgiram as causas de Beatificação e Canonização sob a autoridade da Igreja, regulamentando a piedade dos fiéis e declarando, por infalibilidade do Papa, que tal seu filho goza da glória do céu. No entanto, é preciso saber que nem todos os que praticaram heroicamente as virtudes cristãs, chegam à Canonização. Aliás, pode-se afirmar que são muitíssimos estes heróicos cristãos desconhecidos na terra e bem gloriosos no céu!

Esta afirmação possui uma explicação. Todas as causas exigem muitas despesas, requerem constante empenho e, mais ainda, esforço e dedicação que podem prolongar-se bastante no tempo. Tudo isso, geralmente, apoia-se sobre elementos como: aprimorada organização, apaixonadas pessoas físicas e, especialmente, uma Entidade que oferece adequado suporte. Eis porque há mais Religiosos Santos que Sacerdotes, mais Santos Sacerdotes que Leigos. Além disso, é preciso reconhecer, também, que o maior numero de santos depende, de forma essencial, do interesse, da sensibilidade e da organização dos fiéis e das Comunidades Eclesiais interessadas, especialmente lá onde o Servo de Deus viveu e operou. Hoje em dia, por parte da Igreja, existe a clara tendência em privilegiar as causas de Leigos e, mais especialmente, as de Casais.

 

Por outro lado, não se trata de recompensar – aqui na terra – um fiel cristão pelas suas virtudes heróicas, dado que isso não acresce em nada a sua glória no céu. Tanto a Beatificação quanto a Canonização possuem como OBJETIVO FINAL atingir a nós OS FIÉIS PEREGRINANTES. Somos nós os destinatários e os beneficiados das próprias causa dos Servos de Deus. Com efeito, os SANTOS/AS nos favorecem de várias formas: – servem como exemplo na atualidade do tempo e do lugar em que viveram, – demonstram que a santidade é possível sempre e por todos, – intercedem para nós, junto de Deus, as luzes e forças para vivermos santamente, – oferecem o seu Carisma como dom de Deus e da Igreja…

 

Portanto, um Servo de Deus tanto merece ser Beatificado-Canonizado quanto a sua MENSAGEM-CARISMA for atraente, estimulante e incentivadora. Esta MENSAGEM será oferecida ao mundo para comprovar a sua fama de santidade e deve ser de tal forma apresentada que os fiéis se sintam levados a seguir e imitar o exemplo dele! Portanto: quanto mais nós vivenciarmos o Carisma do nosso Servo de deus Frei João Pedro, o nosso Deus Todo Santo favorecerá a sua causa de Beatificação e Canonização, e maior razão a Santa Igreja encontrará de privilegiá-la. Em outras palavras: das mesmas causas os próprios Servos de Deus não precisam: somos todos nós que precisamos delas! E como! E quanto! É bom compreender que a riqueza da imitação do Servo de Deus Frei João Pedro está à nossa disposição em todo momento de sua causa. Não somente quando ele for declarado Beato ou Santo!

 

Os Santos não somente incentivam e impulsionam os fiéis à santificação como, reforçam e acrescem A COMUNHÃO EXISTENTE ENTRE A IGREJA TRIUNFANTE E A IGREJA PEREGRINANTE! Os Santos/as expressam, assim, a união mística do Corpo de Cristo, manifestam a concreta vitalidade da Igreja e representam a ação santificante do Espírito Santo. Para reforçar esta missão dos santos na Igreja leia-se a Lumen Gentium 50, quando afirma: “Exorto-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, a andardes de modo digno da vocação a que fostes chamados: com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros com amor, procurando conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, assim como é uma só a esperança da vocação a que fostes chamados; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; há um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos” (Ef 4,1-6). Como a comunhão entre nós aqui na terra sustenta-nos reciprocamente para vivermos mais a União-com-Cristo e a Igreja, assim a comunhão que os Santos dispensam conosco nos une -mais e mais- a Cristo: é Dele que, qual Fonte e Cabeça do Corpo Místico, brota toda a Graça e toda a Vida do próprio Povo de Deus.

 

CONSEQUÊNCIA: O florescimento das causas de Beatificação e Canonização, nos nossos dias, demonstra tanto a vitalidade-fecundidade da Santa Igreja quanto o desejo-anseio de santidade dos fiéis. Estes admiram, veneram, imitam os Heróis da Santidade, procurando e encontrando novos modelos-exemplares de Vida nos quais inspirar-se no meio de tantas dificuldades do mundo de hoje. Vale, igualmente, evidenciar um abalizado pronunciamento no fim do Sínodo extraordinário de 1985, no XX aniversário do Concílio Vaticano II, definido altamente missionário e pastoral.

 

Nas conclusões do mesmo, afirmando-se a vontade de Deus quanto à Vocação universal à santidade ressalta-se que a eficácia da Missionariedade e Pastoral – entendida esta seja em sua globalidade que em suas específicas atuações – está no compromisso da santidade: “… Os santos e as santas sempre foram fonte e origem de renovação nas mais difíceis circunstâncias em toda a história da Igreja. Hoje precisamos grandemente de santos, que devemos suplicar a Deus com assiduidade. Os institutos de vida consagrada através da profissão dos conselhos evangélicos, devem ter consciência de sua especial missão na Igreja da atual época e nós (Bispos) os encorajamos nesta sua missão…” (Sínodo extr. 1985, n° 4).

Autor: Dom Serafim, OFM Cap.

By | 2012-02-28T17:39:33+00:00 fevereiro 28th, 2012|Artigos|0 Comments

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