“Causas dos Santos é o conjunto de atos mediante dos quais a Igreja procede a declarar a declarar santos ou santas aqueles que, na sua vida, se destacaram por sua caridade e outras virtudes. Chamam-se também ‘causas de Canonização’” (Dicionário de Direito Canônico – pág. 101)

 

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o longo dos dois milênios da História da Igreja Católica, temos centenas de milhares de páginas luminosas, que nos narram a experiência evangélica dos fiéis que, durante sua existência temporal, quiseram e alcançaram seguir, bem de perto, a Jesus Cristo. E a Igreja, após laboriosos processos, autentica a santidade deles, apontando-os como modelos e intercessores. Isto ela o realiza ao beatificar e ao canonizar estes seus diletos filhos.

Cada vez que ocorre estas celebrações, percebemos um afervoramento, no seio do Povo de Deus, o que vem confirmar as palavras de nosso saudoso Pontífice João Paulo II:

 “O mundo necessita de Santos!”

            Esta sua profunda convicção justifica todo o empenho deste Sumo Pontífice em nos presentear com muitos novos Santos e muitos novos Beatos, na esperança que, neste mundo competitivo e violento, tais modelos nos impulsionem à prática dos valores evangélicos.

De modo particular, João Paulo II voltou-se para as Causas dos Fundadores (as) dos Institutos Religiosos, porquanto a beatificação e a canonização do Fundador(a) é sempre um acontecimento que mobiliza todos os seus filhos espirituais, conduzindo-os, mais e mais, à alegria e ao reapaixonamento por Jesus Cristo Pobre e Humilde. Aliás. As Canonizações tem uma Tríplice função Teológico-Espiritual:

– expressar, vivamente, ao mundo a santidade da Igreja;

– estimular a todos os fiéis ao seguimento de Jesus Cristo;

– ser sinal de comunhão e unidade, entre a Igreja Triunfante e a Igreja Peregrina.

Introdução da Causa de Canonização de Frei João Pedro.

 

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recedendo a introdução do Processo Diocesano, foram realizadas, por algumas Irmãs Missionárias Capuchinhas, muitas pesquisas, no Brasil e na Itália, sobre a vida, virtudes e atividades do Servo de Deus. Também, tivemos a publicação e a divulgação de vários livros, livretos e apostilas sobre o Servo de Deus, inclusive uma biografia compilada por Frei Metódio da Nembro, historiador Capuchinho (Frei João Pedro – Volume I e II).

Somente na década de 90 a Congregação, esperançosa, teve seu olhar voltado para a abertura do processo da causa de Canonização de seu Fundador, começando a manter contatos com o Ministro Geral da Ordem dos Capuchinhos – Frei Flávio Roberto Carraro (1991) e Frei John Corriveau (1999), que deram todo apoio a essa causa. Recorreu, também, ao Postulador Geral dos Capuchinhos – Frei Paolino Rossi, em Roma (1992), solicitando-lhe orientações, acerca da introdução da Causa de Canonização de Frei João Pedro de Sexto. Providencialmente, em outubro/1996, escalando em Fortaleza, o Postulador, com grande solicitude e afabilidade, orientou o governo geral sobre todos os passos que deveriam ser dados, naquele momento, e incentivou a continuação das pesquisas sobre o Fundador.

Também foram gratificantes os encontros do governo geral com o Ministro Provincial de Milão Frei Maurício Annoni, nas suas escalas em Fortaleza, bem como os contatos com Frei Apolônio Troesi e Frei Rogério Beltrami da Província dos Frades Capuchinhos do Maranhão – Pará e Amapá.

 Processo Diocesano: Atuação do Cardeal Dom Cláudio Hummes.

             Após as nomeações do Postulador e da Vice-Postuladora, o Cardeal Dom Cláudio Hummes, tendo em mãos o Nihil Obstat da Sé Apostólica, no dia 07 de setembro de 1997, constituiu o Tribunal Eclesiástico, nomeando como seu Juiz Delegado o Padre Dr. José Fernandes de Oliveira e os demais membros do Tribunal e os das Comissões Teológica e Histórica.

Dias após (17/09/1997), aconteceu a solene Concelebração, no Santuário Sagrado Coração de Jesus, com a participação de vários Capuchinhos. Inicialmente, foram lidos dois documentos do Arcebispo, alusivos à Abertura do Processo de Canonização de Frei João Pedro de Sexto São João.

No dia seguinte (18.09), na Casa Santa Rosa de Viterbo, em Fortaleza – CE, presidida pelo Arcebispo Dom Cláudio Hummes, realizou-se a Solene Sessão de Abertura do Processo, seguida de uma Concelebração.

Desenvolvimento e Conclusão do Processo em Fortaleza – CE.

A seriedade de um processo de canonização requer um trabalho muito árduo e criterioso. São tantas as tarefas e estas dependem de tantos fatores que seu andamento parece moroso.

Nessa a fase inquisitória, acontecem todos os depoimentos das testemunhas arroladas pela Vice-Postuladora. O Juiz Delegado ouviu, durante dois anos, as vinte três testemunhas – sacerdotes, religiosos(as) e leigos. As duas comissões foram reestruturadas pela necessidade de substituir vários membros.

Cumpridas as exigências canônicas, aconteceram os preparativos para a Solene Sessão de Encerramento, que teve lugar na Catedral Metropolitana de Fortaleza e foi presidida pelo Exmo Senhor Arcebispo Dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, no dia 09.09.2004 – data natalícia do Servo de Deus.

Após a Concelebração Eucarística, aconteceu a Sessão Solene, conforme as normas canônicas. Então, todos os autos do Processo e os escritos do Fundador (em português e italiano), já bem condicionadas em oito caixas, que foram rubricadas e devidamente lacradas.

Em 04/10/1904, todo este material, em duas vias, foi entregue à Congregação para as Causas dos Santos, pelo Postulador Geral, Frei Flório Tessari OFMcap.

Trabalhos da Vice-Postulação continua.

 

Através de correspondências, são mantidos contatos com o Postulador Geral, sempre disponível para orientar nossos trabalhos. E, conforme possibilidades financeiras, prosseguem as publicações de folders, novenas e, principalmente, do Folheto TORERNTE DE GRAÇAS, que tem grande circulação, sobretudo nas paróquias. Em vinte e um (21) números, nestes folhetos já editados, foram divulgadas mais de cem (100) graças, atribuídas à intercessão do Servo de Deus.

As Irmãs Missionárias Capuchinhas, com o coração cheio de esperança, colocam esta Causa nas mãos da Virgem Imaculada, Mãe de Deus e nossa Mãe, na certeza de que Ela intercederá pela glorificação desse seu filho devotado, que a amava com tanto fervor e a invocava com tanta confiança.

 

Fortaleza Ce, 20 de maio de 2006.

Irmã Teresinha Maria de Beneditinos

Vice-Postuladora